Mudanças na Saúde

13/09/2026 15:48

A Saúde de Araucária entrou no radar da Gazeta do Paraná. Informações recebidas pela coluna apontam que prestadores tradicionais, alguns com muitos anos de atuação junto à rede municipal, estariam sendo colocados de lado em meio a uma reorganização das contratações conduzidas pela Secretaria Municipal de Saúde. A suspeita relatada à Gazeta é de que o movimento poderia abrir caminho para a CIS – Centro Integrado em Saúde, comandada pelo empresário Glauber Garbim Vieira da Silva. A informação recebida pela coluna também cita a secretária municipal de Saúde, Renata Knopik Botogoski, esposa do prefeito Luiz Gustavo Botogoski, como possível interlocutora nesse movimento. Até agora, porém, a Gazeta não localizou documento que comprove direcionamento de contratação à CIS ou eventual favorecimento à empresa. A reportagem busca contato com Renata para esclarecer as informações e compreender as mudanças em curso na rede. O cenário já chama atenção por si só. O Hospital Municipal de Araucária atravessou uma sequência de mudanças de gestão: passou pela BHCL, depois pelo IDEAS e, desde fevereiro deste ano, está sob responsabilidade da S3 Gestão em Saúde, contratada emergencialmente em um negócio superior a R$ 80 milhões. Paralelamente, houve movimentações em contratos e credenciamentos de exames especializados, diagnóstico e serviços médicos. E o histórico recente recomenda cautela. O IDEAS, que assumiu o hospital em maio de 2025 e deixou a unidade em janeiro deste ano, já foi alvo de diferentes reportagens da Gazeta do Paraná. O instituto acumulou questionamentos sobre sua situação financeira e problemas em outras unidades sob sua administração. Em Toledo, foi formalmente notificado por descumprimentos contratuais antes do rompimento da gestão do Hospital Regional. A Gazeta também revelou a presença de pessoas ligadas ao instituto na estrutura do Hospital Beneficente Moacir Micheletto, em Assis Chateaubriand, mesmo sem contrato formal de gestão com a entidade. Agora, diante das informações envolvendo a CIS, surge uma pergunta ainda mais incômoda: qual é a lógica de substituir empresas que prestam serviços há anos e possuem histórico consolidado no município por grupos que já carregam uma coleção de controvérsias na saúde pública? A CIS e empresas ligadas a Glauber Garbim já apareceram em diferentes apurações da Gazeta envolvendo contratos milionários no Paraná e problemas relacionados à prestação dos serviços. Se a empresa realmente estiver sendo preparada para ocupar espaços hoje pertencentes a prestadores tradicionais, caberá à Secretaria demonstrar quais critérios técnicos e econômicos sustentariam essa escolha e quais vantagens concretas ela traria aos pacientes. A Gazeta do Paraná segue levantando contratos próximos do vencimento, credenciamentos, processos administrativos e novas contratações da Saúde de Araucária. A coluna também aguarda os esclarecimentos de Renata sobre as informações recebidas.