Caos anunciado

15/09/2026 16:40

Nem o mais pessimista dos espectadores esperava assistir ao que aconteceu nesta terça-feira no plenário do STF. O caso Vorcaro e os vazamentos envolvendo o Banco Master produziram uma sessão com acusações gravíssimas, ministros exaltados, interrupções e dedo em riste. Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de atuar em favor do grupo político ligado à tentativa de golpe simbolizada pelo 8 de Janeiro. Mendonça reagiu e chamou a acusação de mentira. Mas foi Gilmar Mendes quem elevou ainda mais a temperatura. Chamou Mendonça de “pichuleco” e “boneco eleitoral”, acusou o colega de explorar o caso e os vazamentos envolvendo o Master com objetivos políticos e chegou à comparação com organizações criminosas: disse que “até a máfia tem princípios”. Mendonça se exaltou, exigiu respeito e não aceitou as acusações. Gilmar respondeu no mesmo tom, com o dedo apontado para o colega, e encerrou: “É preciso dar respeito para ser respeitado”. A cena é grave justamente porque ocorreu na Suprema Corte, instituição indispensável à democracia e que precisa ser defendida e preservada. Mas é impossível ignorar o retrato deixado pelo plenário. O caso Vorcaro parece ter atingido um ponto sensível dentro do próprio STF. E o caos que Gilmar atribuiu à atuação de Mendonça acabou materializado diante das câmeras, no centro da mais alta Corte do país.